quarta-feira, 18 de março de 2026

Impor limites não afasta quem te ama: afasta quem te usa

Há frases que chegam como um estalo. “Impor limites não afasta quem te ama, afasta quem te usa” é uma delas. Ela nos lembra de algo simples, mas poderoso: o amor verdadeiro não teme fronteiras saudáveis. Quem se importa com você não se sente ameaçado quando você diz “não”. Pelo contrário, entende, acolhe e respeita.

Limites não são muros, são portas. Portas que você controla, que abrem para o que faz bem e se fecham para o que te desgasta. Ainda assim, muita gente hesita em colocá-los por medo de parecer egoísta, difícil ou “demais”. Mas a verdade é que viver sem limites é que nos esgota, nos fragmenta e nos afasta de nós mesmos.

Quando você começa a se posicionar, algo curioso acontece: algumas pessoas se afastam. E isso dói. Mas, com o tempo, você percebe que esse afastamento não é perda é filtragem.

Quem estava ali apenas pelo que você oferecia, e não por quem você é, naturalmente se incomoda quando você deixa de ser conveniente. Já quem te ama de verdade permanece, porque entende que limites não são barreiras contra o outro, mas proteção para você.

Impor limites é um ato de amor-próprio, mas também é um convite para relações mais honestas. É dizer: “Eu me respeito, e quero que você me respeite também.” É escolher vínculos que crescem, não que consomem. É permitir que sua energia seja investida onde há reciprocidade, e não exploração.

No fim das contas, limites não afastam o amor, eles o revelam. Mostram quem está ao seu lado porque te valoriza, e quem estava apenas porque era fácil te usar. E, quando essa clareza chega, você finalmente entende que perder quem te usava nunca foi perda. Foi libertação.



Iza Lima - Professora de Educação Especial e Inclusiva - Libras 2 A - EMEI Bairro Piúva

domingo, 8 de março de 2026

🌻 Entre girassóis e tempestades: a mulher que eu me tornei

Não é o 8 de março que me define. Meu dia não cabe em uma data. Ele pulsa em cada escolha que fiz, em cada madrugada de estudo, em cada porta que abri com esforço, coragem e fé. Sou feita de permanências, não de homenagens ocasionais.

Venci pelo estudo e essa vitória tem nome, tem história, tem cicatrizes. Sou fruto da Sociologia que me ensinou a olhar o mundo, do Serviço Social que me ensinou a cuidar, da História que me ensinou a lembrar, da Pedagogia que me ensinou a transformar, da Educação Especial que me ensinou a incluir. Sou também as pós-graduações que abracei: Gerontologia, Educação Especial, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia. Cada diploma é um pedaço da mulher que insisti em ser.

Venci um câncer. Venci o medo. Venci o silêncio. Venci o que tentaram me fazer acreditar que eu não seria capaz de vencer.

Passei em concursos, escolhi caminhos, recusei outros. Não por falta de oportunidade, mas por abundância de consciência. Aprendi que não preciso de muitos amigos, nem de laços que não me nutrem. Meu mundo é suficiente. Minha fé é suficiente. Eu sou suficiente.

Hoje, desejo apenas o essencial: muitos girassóis, o mar sempre por perto, saúde para continuar, viagens para expandir a alma e força para seguir sendo quem sou sem pedir licença, sem caber em molduras, sem me diminuir para caber em expectativas alheias.
Não sou o que esperam de mim. Sou o que construí com minhas próprias mãos.
E isso, para mim, é liberdade.

Iza Lima - 08 de março de 2026