Durante muitos anos, torcer pela Seleção Brasileira foi quase uma obrigação emocional para milhões de brasileiros. Vestir a camisa amarela significava acreditar em algo maior, celebrar uma identidade coletiva e sonhar com vitórias que, por alguns instantes, uniam um país tão diverso.
Mas, para mim, isso mudou.
Hoje, torcer pelo Brasil em uma Copa do Mundo não faz mais parte de quem sou. Não porque eu tenha deixado de gostar de futebol ou de reconhecer a importância histórica da nossa seleção. A mudança aconteceu quando compreendi que o verdadeiro jogo que o Brasil precisa vencer está muito longe dos gramados.
Enquanto comemoramos gols, continuamos convivendo com desigualdades sociais profundas, uma educação que luta diariamente para sobreviver, sistemas públicos sobrecarregados e milhões de pessoas que ainda não têm acesso às oportunidades mais básicas para viver com dignidade.
O problema nunca foi o futebol. O problema é perceber que, geração após geração, muitos dos nossos desafios estruturais permanecem praticamente os mesmos. Mudam os governos, mudam os discursos, mudam os campeonatos, mas a realidade de quem vive à margem continua dolorosamente semelhante.
Não consigo vibrar por uma vitória esportiva ignorando as derrotas diárias enfrentadas por tantas famílias brasileiras. Crianças que estudam em condições precárias, trabalhadores que sobrevivem com dificuldades, mulheres vítimas de violência, idosos esquecidos e jovens que veem seus sonhos limitados pela falta de oportunidades.
Talvez algumas pessoas considerem essa visão pessimista. Eu prefiro chamá-la de consciência. Porque amar um país não significa fechar os olhos para seus problemas. Pelo contrário. Amar um país é desejar que ele seja melhor para todos.
Minha distância da torcida não representa falta de patriotismo. Representa um desejo profundo de ver o Brasil conquistar vitórias mais importantes: menos desigualdade, mais educação, mais justiça social, mais respeito à vida humana.
Quando esse dia chegar, talvez eu volte a vestir uma camisa verde e amarela com o mesmo entusiasmo de antes.
Até lá, continuo torcendo. Mas não por um título mundial.
Continuo torcendo por um Brasil que finalmente aprenda a vencer fora dos estádios.
— Iza Lima 🌻

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