quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O Peso do Vazio

Há dias em que o mundo parece barulhento demais. Não por causa das pessoas, mas por causa do vazio que elas carregam. Um vazio que brilha, que posa, que se exibe e que, de tão raso, faz eco.

A futilidade virou moda. Virou hábito. Virou até virtude em alguns cantos. É como se pensar tivesse se tornado um esforço desnecessário, e sentir, um luxo ultrapassado. As conversas se encolhem, as ideias se achatam, e o que sobra é uma coleção de superficialidades embaladas como se fossem grandes tesouros.

E o mais curioso é que ninguém percebe quando começa a escorregar para esse lugar. A futilidade chega devagar, como quem não quer nada. Primeiro rouba cinco minutos. Depois rouba a atenção. Depois rouba a capacidade de se indignar. E quando a gente vê, já está ali, repetindo frases prontas, vivendo no automático, achando normal o que nunca deveria ter sido.

É por isso que a frase dói:

“A futilidade deixa o ser humano cada dia mais imbecil.”

Dói porque é verdade.

Dói porque é urgente.

Dói porque, no fundo, a gente sabe que está cercado por isso — e às vezes até participa sem perceber.

Mas também existe resistência.

Existe quem ainda se incomode.
Quem ainda questione.
Quem ainda prefira a profundidade ao espetáculo.
Quem ainda escolha o silêncio cheio de sentido ao barulho cheio de nada.

E talvez seja isso que nos salva: a capacidade de olhar para o mundo e não aceitar o raso como destino. De cultivar pensamento, sensibilidade, lucidez. De perceber que, enquanto muitos se distraem com o brilho, há quem floresça como os girassóis buscando luz de verdade, não reflexo.

Porque, no fim, a futilidade pode até ser barulhenta.
Mas é o pensamento que permanece.



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