segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Direito ao... "Foda-se" por Millôr Fernandes


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda- se!"? O "foda-se" aumenta minha autoestima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!" O direito ao "foda-se" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade do que "pra caralho"?  "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?  

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco e nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" não o substituem. O "Nem fodendo!" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranquila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo: "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio. Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um "é PHD porra nenhuma!" ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone', "chepone", "repone" e mais recentemente o "prepone" - presidente de porra nenhuma.  

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou seu correlato "Pu-ta-que-o-pa-riu!!!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça. E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua autoestima.  

Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios. E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!" E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez".  

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!!!  




sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O amor não acaba, nós é que mudamos ...




Alguns falam que o amor acaba... Será? No meu ponto de vista o que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades.  

O amor costuma ser moldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.  

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos.  

O outro grupo é o dos sortudos... Aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.  

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não.  

Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa. 
  


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

LIBERDADE DE EXPRESSÃO... VOZ LIVRE...



Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos. É um conceito fundamental nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral. 
Esse principio, está protegido pela Constituição e impede que todos imponham censura a qualquer debate, seja ele, oral, escrito, artístico, religioso, etc. 

Todo e qualquer debate é livre e aberto e por vezes geram manifestações positivas ou negativas, por isso é de fundamental importância que a coletividade respeite a forma de pensar do outro, pois isso se chama LIBERDADE DE EXPRESSÃO. 

Claro que nunca iremos agradar a todos, por isso é muito importante salientar que mesmo quando não nos agrada o que o outro pensa ou faz devemos buscar parâmetros para que a discussão que possa surgir seja clara e absoluta, pois se nos sentimos agredidos devemos sim, manifestar nossa opinião, mas jamais reprimir o que o outro manifestou, afinal somos livres e temos o discernimento e o conhecimento, ação que talvez o outro não o tenha. 

Eu compactuo com o direito de liberdade de expressão de cada cidadão, pois esse é assegurado para que ele possa se manifestar, buscar e receber informações e assim promover suas ideias em todos os âmbitos. Essas ações podem acontecer com ou sem a intervenção de terceiros e dentro dos mais diversos meios de comunicação. 

A garantia da Liberdade de Expressão está no texto constitucional brasileiro em seu artigo quinto no capitulo I. Cabe a nós respeitar qualquer manifestação de terceiros, afinal a palavra é livre. Temos sim, o direito de nos indignar diante de palavras que firam a nossa moral, mas brigar ou nos ofender porque o outro manifestou o seu pensamento, acredito que não seja a melhor forma de protestar. 

Sigamos!!!



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ampliar sem Precarizar!!!







Hoje foi um momento histórico e especial para os trabalhadores e usuários da Assistência Social. 

Mostramos nosso luta e nossos esforços na operacionalização daquilo que acreditamos que é a construção de novas possibilidades para uma categoria que luta e assegura direitos... Para uma categoria de trabalhadores  que precisa ser reconhecida como sujeito de direitos em busca de reconhecimento sem a tão nefasta precarização nas relações de trabalho...

A luta segue...




domingo, 25 de outubro de 2015

"A Persistência da Violência Contra a Mulher na Sociedade Brasileira"


Hoje foi realmente um dia para entrar na história do ENEM e porque não do País.  

"A Persistência da Violência Contra a Mulher na Sociedade Brasileira" foi o tema da redação da prova esse ano e eu digo com todas as letras que adoraria escrever essa redação...  

Hoje eu realmente gostaria de estar em uma sala qualquer e poder olhar a cara de alguns... homens... Isso mesmo com letrinha pequena... Minúscula... Gostaria de saber se tiveram coragem de escrever que lugar de mulher é no fogão ou no tanque lavando roupa... Que mulher tem que ser submissa, obediente, levar comidinha no sofá... Ah! Vão se Catar!!! Ah! Como eu gostaria de poder fazer essa observação cara a cara... Imagino o desespero de alguns machistas dentro de uma sala ao abrir o caderno de provas e dar de cara com esse TEMA.  Literalmente vão mentir ou teremos menos homens nas Universidades em 2016...  

É fato que precisamos prestar bastante atenção como o tema foi proposto... Temos que nos atentar que essa situação não é um caso isolado, pontual, pois é algo ruim, persistente, diário e de todas as formas possíveis e imagináveis dentro de uma sociedade opressora e machista que deveria nos proteger totalmente desse mal e dar um fim para a tal da impunidade que assola a vida de tantas mulheres em todos os locais.  

Hoje a questão sobre a Violência da Mulher foi discutida por mais de 7 milhões de estudantes... E por todo o País, tenho a mais absoluta certeza... Em várias partes do Globo Terrestre. Tema pertinente e sempre atual e muito distante de uma resolução efetiva e real. Como mulher me senti representada nessa prova.  

Uma vez ouvi de alguém que a Violência contra a Mulher é uma questão de tempo, basta criarmos coragem e darmos um chute bem dado no saco daquele que nos oprime... Oxalá, todas nós tomemos essa coragem e possamos em um futuro breve nos livramos desses que se dizem Machos, mas não na acepção da palavra... Macho que é Macho não bate em mulher e muito menos oprime.  

Números da OMS indicam que a maioria das mulheres são mortas pelos maridos, namorados, parceiros, amantes... Essas mesmas mulheres, apanham, são violentadas ou estupradas em algum momento de suas vidas. No Brasil uma mulher é espancada a cada 15 segundos, nesse momento eu reafirmo a necessidade de uma luta constante para que essa situação seja revertida e todas as mulheres sejam empoderadas em sua dignidade para que sejam ativas em suas vidas, em suas casas, para que tenham coragem de enfrentar seus agressores, seus medos e seus sofrimentos.  

A implementação da Lei 11.340, intitulada Lei Maria da Penha sancionada em 7 de agosto de 2006, permitiu que a Violência Contra a Mulher deixasse de ser tratada como um crime comum, englobando outras situações tão pertinentes como a violência física e sexual, psicológica, patrimonial e o tal do assedio moral, onde tantos MACHOS acham que podem falar tudo e nada vai acontecer... Ledo engano... Reafirmo LEDO ENGANO!!!  

Infelizmente muitos desses ditos MACHOS ainda conseguem sair impunes de algumas situações, pois não existe iniciativas eficazes para a total prevenção dessa maldita violência...  

Continuamos sim sendo agredidas e acuadas pelos nossos agressores, mas além da dor física a alma é a que mais sofre com tudo isso... São pancadas que não tem remédio ou curativo para amenizar a dor.  

Saliento também que os governos são responsáveis pelos recursos para que essa opressão tenha um fim, basta se empenhar e agir com vontade.  

Já está mais do que na hora dos ESTADOS cumprirem seus papeis que é o dever de proteger as mulheres contra todo e qualquer tipo de violência buscando medidas, liderança e recursos urgentes. É hora de dar um BASTA a violação dos nossos direitos no que se refere ao enfrentamento e prevenção dessa maldita síndrome chamada Violência Contra a Mulher!!!  

Estados, Municípios e Governo cumpram seu compromisso que está acordado em Instrumentos de Direito Internacional e nas Politicas Públicas e Sociais para que o compromisso em relação a Lei Maria da Penha possa realmente alterar os comportamentos de violência em relação as mulheres e responsabilizar integralmente seus agressores.  

É uma ação de cidadania que busca compromisso e atitude em relação à Lei Maria da Penha, a fim de alterar os comportamentos de violência contra as mulheres e responsabilizar os agressores.  

Mulheres.... A Luta não pode e não deve parar... Lutemos SEMPRE!!!